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CORPO-TERRITÓRIO y ESPAÇO

sobre a ganância universalista
“[...] é na perspectiva da produção da não presença da diversidade que se institui uma compreensão universalista sobre as existências” (RUFINO, 2019, p. 14)
O pensamento abissal (pensamento colonial / pensamento moderno ocidental) é binário, atua em duos: civilizado/selvagem, eu/outro, norte/sul, rico/pobre, homem/mulher, branco/não branco, etc. Um cistema "de distinções visíveis e invisíveis, sendo que estas últimas fundamentam as primeiras. As distinções invisíveis são estabelecidas por meio de linhas radicais que dividem a realidade social em dois universos distintos:o “deste lado da linha” e o “do outro lado da linha”" (SOUSA SANTOS, 2007, p. 71). De um lado da linha colocam a realidade, que por si só é universalista prevendo como devemos viver e construir socialmente nossas relações, instituições, afetos, gestos, corpas, etc. Do outro lado da linha, é produzida a inexistência. "Inexistência significa não existir sob qualquer
modo de ser relevante ou compreensível. Tudo aquilo que é produzido como inexistente é excluído de forma radical porque permanece exterior ao universo que a própria concepção de inclusão considera como o “outro”." (SOUSA SANTOS, 2007, p. 71).
No pensamento abissal, inclusão e acessibilidade são atualizações do "civilizar" ou "catequizar". Transformar em "outro", o que é inexistente. A não presença da diversidade que se produz é epistemológica: na compreensão universalista, significar a vida de outras madeiras é impensável, inexistível, ela atuará para reduzir memórias, corporalidades e conjuntos de saberes em produtos anexáveis pelo "lado de cá" da linha.
"A característica fundamental do pensamento abissal é a impossibilidade da co-presença dos dois lados da linha.O universo “deste lado da linha” só prevalece na medida em que esgota o campo da realidade relevante: para além da linha há apenas inexistência, invisibilidade e ausência não-dialética." (SOUSA SANTOS, 2007, p. 71). A ganância colonialista de mapear o mundo é para esgotar simbolicamente o imprevisível, o desconhecido, o invisível. Metáfora abissal para a morte de outros mundos possíveis.
Apesar de todos os esforços da marrafunda colonial em produzir inexistência sobre nós, mundos possíveis pipocam em todas as partes. Fique de olhos e corpo abertos !
EXTRAVIOS CARTOGRÁFICOS
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