CORPO-TERRITÓRIO y ESPAÇO

CAMINHOS E CABANAS
brincar é o inesperado
Essa é uma brincadeira de desenhar e se molhar.
Tive a ideia de uma oficina chamada Caminhos e Cabanas para brincar com mis primes Carol (5 anos), Mateus (3 anos) e Julia (2 anos), depois de brincar de Cabana com a Carol. As ideias habitam em vários lugares, mas essa ideia, quando eu tive, habitou minha mente. Exu vive pregando peças, né?! E, veja só, fui em contramão de Elegbara e separei mente e corpo. Aí quando teimei de passar o que tava na minha mente pro meu corpo e pro corpo de mis primes, a coisa foi pro brejo: acabou em banho de mangueira e todo mundo enxarcado, sem cabana nenhuma.
Brincar é que nem a rua: é o inesperado, é a festa, é a surpresa e o encantar.
Nisso eu me dei por satisfeite: não deu certo, nem deu errado, deu foi outra coisa, o que é muito melhor! Um entre, uma fresta. Porque na hora da brincadeira, deu vontade de outra coisa, deu vontade de sentir água no corpo e correr. Não deu vontade de desenhar mais, nem de ir atrás de caminhos que já conhecemos: o desejo foi o caminho mesmo.
Começamos o encontro com um convite de desenho, eu chamei os três pra desenhar suas casas e qual é o caminho que fazem da casa da vovó Ediva (onde estávamos) até a casa de cada um delus. Eu estava animade para ver o que saía dali, quais informações captar de crianças de 2 a 5 anos sobre trajetos de carro que elus nunca pensaram em traçar. Felizmente, quebrei minha cara nas expectativas, porque saíram desenhos lindos! E nenhum caminho identificável, nenhuma imagem, nenhuma paisagem, nenhuma memória decifrável: em resumo, nenhuma evidência.
Brincar não é sobre o jogo colonial esconder/demonstrar evidências ou provas de nada. Brincar não é sobre comprovar. Brincar não é teste.
Levei a rasteira e cai com tudo.
Carol e Mateus queriam brincar com a mangueira, eu disse que não, elus disseram que sim, eu não disse nada, elus correram, pegaram a mangueira, abriram a mangueira. Do tombo que eu já tinha caído, seguia no chão, e escolhi então rolar na lama. Todo mundo brincou de correr da água, de regar as plantas, de ver surgir um brejo mesmo, de ver o caminho que a água da mangueira fazia e de enxarcar uns aos outros (ninguém era café com leite). No final, nós quatro estávamos pingando e fomos trocar de roupa pra brincar de outra coisa.











desenhos dos caminhos de casa até a casa da vóvó Ediva
desenhos das casas



